O mar em revolução traz até ao meu peito oco o azul dos teus olhos.
Fazendo a vontade à nostalgia acendo um cigarro e entro em contemplação...
Rapidamente a minha mente se dispersa por pensamentos que eu não quero ter, enquanto na imensidão as vagas sucessivas e impetuosas me mostram toda a sua fúria, arrastando com elas um pequeno barco de pesca que luta para se manter à tona.
Entre a espuma, que em êxtase surge por sobre as rochas, vejo surgir o teu rosto e é aí que eu sinto que parte de ti estará eternamente em mim a completar aquele espaço que agora considero vazio dentro do meu peito.
Sinto profundamente a desilusão provocada, estampada nos olhos de azul que me fitam, ela oprime e sufoca e o sol que me banha é parco e insuficiente para que o seu calor preencha as lacunas deixadas pela consciência.
Ao longe, o barquinho continua a tentar sobreviver à violência natural, com avanços e recuos, afundando e ressurgindo.
Sinto-me nele e desfaleço...
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